terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Em Foco: Martha Marcy May Marlene (Sean Durkin/2011)


Apesar de uma narrativa fluida e interessante, é inevitável não dizer que Martha Marcy May Marlene é um filme imperfeito. Com mais esmero, o diretor novato Sean Durkin teria construído algo bem perto de uma pequena obra-prima, um bom derivado de um Malick. Digo isso, porque a proposta do estudo do isolamento e da vida em uma sociedade alternativa, bem perto da natureza, torna-se por vezes falha ao tentar trazer para a realização uma aura estranhamente transviada. Diria que perto até do que seria um filme de suspense. Então, também se torna inevitável não comparar o líder (John Hawkes muito bem) e os moradores da comunidade hippie da qual a jovem Martha (Elizabeth Olsen) foge com Charles Mason e seus seguidores.

Logo Martha se refugia na casa da irmã (Sarah Paulson), mas os motivos que perturbam a moça são revelados aos poucos, em flashbacks, ditando o ritmo, que apesar de lento não chega a inquietar. Durkin insere muito bem as cenas do passado com cenas da atualidade de Martha. Traçando assim um parâmetro atrativo entre a vida aparentemente desapegada que ela levava com a vida abastada que sua irmã tem com o marido em uma bela casa na beira de um lago. Nesse ponto, é provável que se Durkin se preocupasse em explorar as nuances desse impacto da volta à vida tradicional o filme crescesse. Por exemplo, uma das melhores cenas é quando Martha discute com o cunhado sobre o tipo de vida que o ser humano deveria levar. Em certo momento ela diz: “Nós deveríamos apenas existir.” O que mostra o quanto o ser humano pode ser confuso nas suas próprias aspirações, mesmo quando parece ter certeza delas.

Quando Martha Marcy May Marlene parece que vai se impor como um bom drama existencialista e poético, o diretor Durkin trás para a obra um contraponto violento, o que aproxima o filme de obras como Helter Skelter, que retratava a vida do já citado Charles Mason. Então o filme vai diminuindo seu ritmo até um epílogo anti-climático, o que faz parecer que Durkin quis cometer uma obra com o intuito de figurar em um circuito mais cult. Claro que as interpretações e considerações ficam a cargo do espectador, mas não dá para dizer que o diretor tenha tomado todas as decisões certas. Por isso reafirmo que apesar de bom, é um filme que pode incomodar.


8 comentários:

renatocinema disse...

Aprecio filmes que reflitam sobre personagens perturbados. Vou tentar conferir....apesar das imperfeições.

Cristiano Contreiras disse...

Curioso, todo mundo elogia muito esse filme e diz que a Olsen merecia figurar no Oscar - exagero? Bom, só leio boas críticas, a sua foi a primeira que meio que mostrou que é um filme irregular. Baixando aqui. abs

Andinhu S. de Souza disse...

Eu detestei pelo fato de dar voltas e mais voltas, não chegar a lugar algum, enquanto o diretor quer por que quer mostrar uma tendência mais cult e totalmente autoral em praticamente todo o filme, o que acaba diminuindo o impacto que ele tentava causar. O roteiro é ruim, inverossímil, como já falei, a direção não ajuda, o cara filma uma pessoa mergulhando durante minutos(!?) muda a narrativa da maneira mais convencional, ao abrir uma porta por exemplo, a cena volta em outra porta abrindo, sem ser a do tempo atual....o filme mais irritante do ano, junto com Inquietos.

Fábio Henrique Carmo disse...

Primeiro texto que leio sobre o filme. Dia desses vi para baixar e nem sabi do que se tratava. Me deu curiosidade, muito embora sua crítica não seja entusiasmada. Abraço!

J. BRUNO disse...

Ainda não o vi, acho que nem tinha lida tantas críticas... o curioso é o como algumas obras têm o potencial para ser tão legais e acabam se perdendo em algum ponto... talvez seja este o caso

Celo Silva disse...

Renato, é um filme diferenciado, vale uma conferida;

Cristiano, Olsen está muito bem, tlavez lhe valesse uma indicação. O filme em si não é tão empolgante, tem seus problemas, mas é uma obra que vai render divisões de opiniões;

Andinhu, não acho o pior filme do ano, mas passa longe de ser o melhor. Essa vontade de ser cult que vc apontou tb me incomodou, mas as elipses até que me agradam;

Fábio, é um filme curioso mesmo;

Bruno, é por ai mesmo, MMMM tinha potencial para ser algo mais;

Abs a Tds!

Júlio Pereira disse...

Interessante. Tinha expectativas altas, até ler a opinião companheiro e amigo Iohasson Mello, que disse ser um filme irregular. Isso abaixou minhas expectativas. Agora você só reforça essa ideia. Fiquei com mais pé atrás ainda. Ainda assim, verei para poder tirar minhas próprias conclusões acerca da obra!

Celo Silva disse...

Júlio, é um filme que divide opiniões mesmo, mas vai que tu acha uma obra-prima? Alguns ficaram bem empolgados.

 

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