domingo, 26 de fevereiro de 2012

Clássico: Scarface - A Vergonha de uma Nação (Scarface/Howard Hawks/1932)


Dando partida a imersão na filmografia do diretor americano (pioneiro do cinema falado) Howard Hawks, o primeiro a ser comentado é Scarface, um dos filmes mais conhecido da carreira desse realizador. Obra que teve relativo apelo na sua época, pois apostava em ser uma critica áspera a política de imigração e consequentemente como as gangues formadas eram tratadas pelo governo: com uma lei branda e permissiva. Hawks explicita esse tom logo no inicio do filme, com a inserção de um cartão titulo com esse discurso.

Apesar de ainda não ser tão familiarizado com os filmes de Hawks, prevejo que Scarface provavelmente não seja o melhor filme do diretor, apesar de ser um dos mais famosos. A obra tem um tom bastante exagerado, tendendo a alternar com a comicidade, talvez excesso do tão falado mise en scéne que o diretor costumava providenciar para seus filmes. Tem um ritmo muito bom, com diálogos marcantes e momentos históricos, mas de certa forma peca em alguns aspectos. Um deles e talvez principal seja a caracterização do protagonista Tony Camonte (Paul Muni), teatral demais, o que para hoje acaba parecendo pouco convincente, mas que apesar de tudo consegue cativar o espectador em vários momentos. Camonte é um impiedoso criminoso em ascensão naquela Chicago da lei seca.

Há de se destacar também algumas cenas percussoras para os filmes de gangsteres, como os tiroteios e perseguições de carro. Mesmo parecendo ter poucos recursos, Hawks consegue cometer algumas seqüências tensas e emocionantes. Alias, recursos parcos são algo que parece perceptível para esse Scarface, que mesmo para a época tem efeitos visuais bem simplórios. Também é notório que existem edições para encurtar a narrativa, tornando ela bem redondinha. Assim apenas contando o que aconteceu, sem mostrar o acontecido. Não que chegue a incomodar tanto, mas a certa altura fica inevitável não se divertir com algumas passagens feitas para chocar. Algo que também deve se afirmar, é que Hawks aposta em um filme violento, bem ousado para a época, como se o trouxesse assim com a intenção de impressionar mesmo a opinião pública.

Lá pelo fim, um dos chefes de policia dispara um discurso altamente preconceituoso em relação aos imigrantes que vieram para os EUA, o que nos faz perceber o quanto datado pode Scarface parecer, não é daquelas obras que transcendem épocas. É respeitável, mas envelheceu mal, só que mesmo assim é artefato curioso e interessante. Sabemos que estamos assistindo algo que fez e faz a historia do cinema. Em 1983, o também talentoso diretor americano Brian de Palma realizou um remake desse filme com Al Pacino como o Scarface Tony Montana, mas ai é papo para outra hora. 


9 comentários:

renatocinema disse...

Lembro de ter assistido essa joia rara muitos anos atrás.

Concordo com seus destaques: tiroteios e belas perseguições de carros.

Gosto da versão "atual" de Scarface. Porém, a de Hawks tem um charme único.

Bela homenagem.

Amanda Aouad disse...

Ainda não tive a oportunidade de ver essa obra, apenas o remake, vou tentar corrigir.

Ailton Monteiro disse...

Eu gosto tanto do Hawks que acho esse filme bem pequeno perto dos trabalhos mais arquetípicos dele. Esse tem poucos elementos hawksianos. O cineasta autor ainda estava se formando para virar gigante.

Fábio Henrique Carmo disse...

Sou um completo ignorante em Scarface, pois nem vi esse nem o do De Palma. Preciso corrigir essa falha. Abraço!

Celo Silva disse...

Renato, é um filme charmoso, mas peca em alguns sentidos, mas sem dúvida é marcante para a história do cinema;

Amanda, vale conhecer, é diferente do filme de De Palma;

Ailton, percebo que não é o melhor filme de Hawks mesmo;

Fábio, não viu o de De Palma? Cara, vc deve ser um dos poucos..rs;

Abs a Tds!

gyy disse...

Esse tem poucos elementos hawksianos. O cineasta autor ainda estava se formando para virar gigante.

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Jefferson Clayton Vendrame disse...

Cara como eu desejo obter esse filme em minha coleção, tenho Inimigo Público Nº 1 E Alma no Lodo que foram os precursores do gênero no cinemas, mas esse não acho em loja alguma.... Passo mal em imaginar quanto coisa ótima não é lançada com mais frequência no Brasil... Lamentável...

Jefferson Clayton Vendrame disse...

Só para constar, acabei de assistir o filme, encontrei o mesmo na Livraria Cultura. Agora que assisti posso opinar sobre seu texto: Acho que vc cometeu um sério anacronismo em sua critica. Não se pode julgar um filme antigo com os olhos de hoje e sim com os olhos da época em que foi lançado. É um filme (para a época) forte, ousado e sem censura, só faltou sexo para ficar mais pesado. Brian de Palma nem merece ser citado afinal, copiar é fácil, difícil é criar..... NUNCA algo copiado merece menção.

Abraços, e VIVA O CINEMA ANTIGO

Celo Silva disse...

Jefferson, meu caro, só por um filme ser antigo, não o exime de ser médio ou até mesmo ruim. Ressaltei suas qualidades e quem me conhece sabe que sou um amante do cinema antigo. Agora, Scarface foi marcante para sua época, mas até mesmo em seus anos ele foi criticado. É um filme quase B e realmente é forte e ousado. Citei isso no texto também. Qt ao filme do De Palma, não sei se assistiu, mas não tem quase nada haver com esse. É pastiche, mas tem criatividade sim e atuações bem melhores, apesa do Scarface de Hawks ser bem cativante. Enfim, dos filmes clássicos, não acho esse um dos melhores.
Abraços!

 

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